Pretextos - Apresentação

Espalhando novas sementes...

“Quando afirmamos a intuição, somos portanto, como noite estrelada: fitamos o mundo com milhões de olhos” (Clarissa Pinkola Estés), é com essa urgência que nasce a antologia Pretextos de Mulheres Negras, uma das ações do Coletivo Mjiba apoiado pelo Programa VAI –Valorização de Iniciativas Culturais, organizado por Carmen Faustino e Elizandra Souza, no qual registra a poesia de vinte mulheres negras da Cidade de São Paulo e as escritas das convidadas Queen Nzinga Maxweell (Costa Rica) e de Tina Mucavele (Moçambique), na intenção de religar os nossos vínculos ancestrais e também escrever a melodia dos nossos próprios ritmos.


Essa publicação é inspirada no livro “Oro Obínrin – 1º Prêmio Literário e Ensaistico sobre a Condição da Mulher Negra”, homenagem a Lélia Gonzalez, publicado pela ONG Criola em 1998, no Rio de Janeiro e vem para somar com ações de coletivos de mulheres negras que vem desenvolvendo vários trabalhos com a mesma proposta de fortalecer o nosso fazer artístico e protagonismo.


Pretextos de Mulheres Negras apresenta em cada autora, suas subjetividades, auto representações, seja nos textos, nas imagens e nos perfis biográficos como forma de resistência, memória, pertencimento, ludicidade, corporeidade, musicalidade, religiosidade e outros valores presentes nas africanidades e na diáspora.


A escritora Conceição Evaristo no artigo “Gênero e Etnia: uma escre(vivência) de dupla face” enfatiza a importância das escritoras negras inscreverem os seus corpos literários, pois a auto representação se faz necessária para registrar e também construir identidades negras dentro da poesia e descreve sobre o seu processo de escrita “gosto de escrever, na maioria das vezes dói, mas depois do texto escrito é provável apaziguar um pouco a dor, eu digo um pouco... gosto de dizer ainda que a escrita é pra mim o movimento de dançacanto que o meu corpo não executa é a senha pela qual eu acesso o mundo”.


Este processo de escrita mencionado por Conceição Evaristo foi vivenciado pelas convidadas, muitas vezes a insegurança, o estranhamento, a própria dor expelida em palavras provocaram muitos incômodos, entre eles, se pertencia a nós mulheres negras o direito a escrita, essa reflexão nos provoca, pois as nossas intuições, as nossas sensibilidades sempre foram consideradas de menores valores em uma sociedade em que as mulheres negras, precisam o tempo inteiro serem fortes, companheiras, ouvintes, prestativas,
cuidadoras e com isso seus olhares vão se desvinculando dos desafios para olharem a si mesmas, pois nós mulheres negras dedicamos a vida inteira aos outros e por muitas vezes nos esquecemos de nós.


Somos a continuidade de mulheres negras que nunca conheceu o que era a escrita e também escritoras negras como Maria Firmina, Carolina Maria de Jesus, Maria Tereza, entre outras que não estão mais entre nós, mas que nos presentearam com suas flores, espalharam suas sementes, que germinaram bons frutos, nos quais colhemos e nos alimentamos nos dias de hoje. Mas como toda plantação, precisamos constantemente replantar e espalhar novas sementes.


Este livro é dedicado à poeta Maria Tereza (em memória) e as nossas crianças: Andwele, Iara Badu, Francisco Akins, Yakini, Pedrinho, Paola Zali, Manoela (s), Zahra, Alanda, Beatriz, Yan, Dandara (s), Aliyah, Zora, Daruê Zuhri, Isis, Maria, Maria Flor, Zion (s), Hakim (s), Martin, Ominirê, entre outras que estão por vim...

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