Terra Fértil

Da Terra Fértil, a poeta negra que floresce na periferia
 

Jenyffer Nascimento lança livro autoral pelo coletivo Mjiba
 

Por achar mágica a poesia e a declamação nos saraus da zona Sul de São Paulo, a pernambucana Jenyffer Nascimento se descobriu poeta e floresce agora com o livro “Terra Fértil”, lançado pelo coletivo Mjiba. “Frequentando esses espaços [os saraus] que são verdadeiros santuários, descobri que a poesia é democrática e está ali para todos e não apenas restrita aos grandes nomes da literatura brasileira como nos ensinaram na escola”, conta a ‘escrevinhadora’, como prefere ser chamada.

Jenyffer Nascimento

Aos 30 anos, este é o primeiro trabalho autoral de Jenyffer, que fala sobre amor, cidade, diferenças sociais e orgulho da própria origem nas 170 páginas da obra que teve a organização de Carmen Faustino e Elizandra Souza, o projeto gráfico de Nina Vieira e a ilustração de Lucimara Penaforte. O livro integra o Projeto Mjiba: Espalhando Sementes e visa o fortalecimento da escrita negra e feminina e que teve inicio com o evento Mjiba em Ação e a antologia Pretextos de Mulheres Negras.

Contudo, ela enfatiza que ainda está se descobrindo poeta. “Gosto de escrever poesias, mas não me sinto tão confortável com o título de poeta. Gosto mesmo é de ser escrevinhadora. Inscrever e escrever sonhos reais e imaginários”, comenta, ao revelar que se sente privilegiada por ter sido convidada pelo Mjiba para publicar a obra.

“Elas pegaram na minha mão e me encorajaram a parir esse filho-livro. Sinto que represento outras além de mim, afinal, quantas mulheres negras e periféricas você conhece que estão lançando livros de poesia? Levando em consideração o machismo, o racismo e a questão de classe é natural que nossas oportunidades sejam bem mais escassas. Sinto uma tremenda responsabilidade por representar as mulheres, em especial por representar as mulheres negras, periféricas e suburbanas”, revela.mjibas terra fertil

Educadora, Jenyffer confessa que vê cenas de racismo diariamente e observa alunos que se negam a aceitar a própria cor e se envergonham da própria identidade. “Quem é negro, quer ser moreno. Quem é moreno, acha que é branco e se vê no direito de zoar os colegas. Estamos em 2014 e tudo isso ainda acontece. Arcaico não? Eu milito e escrevo como uma forma de resistência, porque quero protagonizar uma história diferente daquela que esperam. A opressão precisa ser combatida e precisamos ser muitos no front para desconstruir as mentiras que marcam nosso corpo e nossa autoestima, seja pelo estigma da pobreza, do racismo, machismo, homofobia, xenofobia, etc”, anuncia.

Eis então Terra Fértil, cujo título foi inspirado em uma canção do grupo Racionais MCs, mas também porque remete à fertilidade, às deusas, a Oxum. Porque gera vida e vida poética é o que a periferia precisa. “Terra Fértil porque a poesia é terreno propício para o plantio e colheita. Terra Fértil porque somos continuidade de outras mulheres negras que já havia preparado a terra para nós. Terra Fértil para que outros possam semear e espalhar novas sementes. Terra Fértil porque os astros puxam para o elemento Terra. Terra Fértil porque acredito que o coração é terra fértil sempre”, finaliza. 

 Por: Jéssica Balbino

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